segunda-feira, 21 de maio de 2012

Voltando a contar causos


Queridas amigas,
Há algum tempo estou pensando em escrever mais, mas ando numa preguiça danada... Fico com a sensação que escrevo muita bobagem, que vocês devem me achar uma deslumbrada, ingênua, delirante, maluca (afinal, algumas de vocês já viajaram ou moraram fora e passaram por tudo isso e nem por isso ficavam contando para ninguém todos os detalhes das experiências...).
No entanto, ontem aconteceu uma coisa que mudou minha falta de disposição. No domingo, recebi um e-mail da minha orientadora dizendo que era para a gente se reunir na segunda de manhã para traçar um cronograma de trabalho. Ai que medo... Pensei o dia inteiro em elaborar o cronograma, mas eu tinha umas coisas bem mais urgentes para fazer, tipo ir numas lojas que abrem no domingo e comprar umas caixinhas, umas latinhas, e fazer um orçamento de preços de cortinas para minha amiga Cida que tá reformando o apto dela em Vitória. O domingo acabou e o cronograma não saiu. Na segunda fui com a cara e a coragem (tem vezes que tenho um pouco de medo da minha orientadora...), mas foi tudo ótimo. Ela estava super bem. Disse que tinha passado todo o feriado em casa pensando em como mudar o mudo... Ela é muito figura, gente!!! Vou contar uma história dela que não sei se já contei (tenho muita dúvida do que já contei ou não e não quero ler o que já escrevi porque aí vou ficar com vergonha e não vou escrever mais...). Então, quando eu repetir as histórias, é só ir para frente... E quem não se lembra do que eu disse, ou não prestou muita atenção, vai ter uma segunda oportunidade de saber... Olha que beleza!
Bem, voltando à vaca fria. Eu perguntei à minha orientadora se havia um motivo especial para ela se envolver tanto com a causa dos Palestinos e ela me disse que ela se envolve em todas as causas injustas que existem e, quando já não houver mais nenhuma, ela vai ao Brasil porque ela viu num programa de TV que há uma tribo na Amazônia, em que alguns estadunidenses retiraram sangue de alguns índios (não sei muito bem com que objetivo), mas esta tribo acredita que, para morrer em paz, precisa estar com o seu corpo inteiro, sem faltar nada. E eles já não podem mais morrer em paz porque falta sangue que foi retirado do seu corpo. Portanto, quando ela não tiver mais nenhuma causa perdida, vai proo Brasil lutar para que os estadunidenses devolvam o sangue retirado dos índios. 
Mas, então, durante a reunião de segunda, ela elaborou o cronograma e me deu mil coisas para fazer e aí, sabem o que aconteceu? Me deu uma vontade de escrever para vocês contando como foi minha viagem a Lisboa, a Semana Santa daqui, alguns costumes da Espanha... E o cronograma foi pro fundo da gaveta (mas nem minha orientadora, nem ninguém precisam saber disso, né?). Somando se a isso, o fato que eu me lembrei de um caso muito interessante que vou lhes contar agora, vocês vão receber uma avalanche de e-mails com todos os temas que estão se interpondo ao fato de eu ter que estudar para o pós-doc.
O caso é o seguinte. Minhas amigas da História da Educação conhecem. Há uma professora do Departamento de História na UFMG que se chama Regina Horta Duarte. Eu gosto muito do que ela escreve, porque a acho uma grande narradora. A tese de doutorado dela virou um livro que se chama “Noites Circenses” que eu recomendo porque é lindo. É sobre as companhias de circo que viajavam por Minas Gerais no século XIX (eu acho). Embora seja uma pesquisa, para mim se aproxima muito de um texto literário porque ela escreve muito bem. Um dia, ela contou que, quando fazia Mestrado ou Doutorado, ela entregou um texto para o orientador e ele leu, rasgou, jogou no lixo e disse: Regina, tem dia que a gente não escreve nada que presta mesmo... Pois se a Regina tem dias que não escreve nada que presta... eu vou ficar à vontade para escrever o que me vier à cabeça. De fato, nem sei se vocês terão tempo e paciência de ler tudo que pretendo escrever, mas minha sorte é que, se leem, vocês não são o orientador da Regina, são amigas queridas, generosas e gentis.
No fundo, acho que toda essa “gana” de escrever se deve, no fundo, mais ou menos, como o nome daquele doce que eu adoro amor em pedaços transformado em saudade em pedaços...
Abraços com muitas saudades...

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