segunda-feira, 21 de maio de 2012

Feria de Abril



Queridíssimas amigas,
Saudades de todas!!!!!!!!!!
Vou lhes contar de uma das principais festas de Sevilha que terminou antes de ontem, a Feria de Abril...
A primeira feira aconteceu em 18 de abril de 1847 (tô lendo num livrinho ...). Uma pessoa me falou que e li num blog que, no início, a feira era uma exposição de gado e que os cuidadores de gado ficavam festejando a noite toda e as pessoas começaram a se reunir porque era muito animado.
Atualmente a Feira começa numa segunda feira de lua cheia depois da Semana Santa. Por isso, a data muda conforme o ano e já teve feira de abril até em maio. Mas antes já tem quem vá. No domingo, por exemplo, pode ser que as pessoas se reúnam para decorar as casetas e preparar o espírito para a festa. As casetas são propriedades de pessoas (famílias, empresas, as fraternidades da Semana Santa, partidos políticos, etc) e são montadas e desmontadas todo ano no mesmo lugar.
Vou passar para vocês os números do livrinho:
São 1.048 casetas: 22 familiares, 496 de várias famílias, 310 entidades, 201 Peñas (eu não sei o que é isso. Fiquei pensando que podem ser das fraternidades da Semana Santa), 2 municipais, 6 distritos e 11 serviços. Não se pode entrar nas casetas particulares. A menos que vc tenha algum conhecido que te faça um convite. Mas, como as casetas são pequenas, eles não podem convidar muita gente. Como eu conheço "muita gente" em Sevilha, fui a duas casetas. Eu sou chique demais...
As casetas públicas são abertas a todos, mas aí também não dá para entrar porque é gente que não acaba mais. Impossível. E quem não tem caseta fica rodando pela feira até cansar sem ter nem uma cadeirinha para sentar. Nas casetas, as comidas são vendidas por um grupo contratado pelos donos da caseta. No primeiro dia, segunda-feira, as pessoas vão para comer pescado. Chama-se noite do pescaíto. Todos vão arrumadíssimos, como se fosse para um casamento. Eu não fui, estava no metro e vi as mulheres de longo e os homens todos de terno. Á meia-noite acendem-se as luzes da Portada e das ruas da Feira. Todas as ruas da Feira tem nomes de toureiros famosos. A bebida principal é um vinho branco chamado Manzanilla, típico da região, ou “rebujito” que é este vinho servido com Sprite e gelo. E, ao final da Feira, se come “buñuello”, um biscoito frito que se mergulha numa xícara de chocolate quente. Muito, muito light... e eu amei...comi vários.
A partir da terça-feira, as mulheres começam a vestir os trajes de cigana - que são maravilhosos. Tem de todo tipo. Lindos, lindos, lindos. Aliás, para mim, esse foi o principal encanto da festa. As roupas de cigana. Eu queria várias. Não conseguiria escolher. Até arrumei uma emprestada. Pelo que vi tava meio fora de moda, mas sabe porque não a vesti? Porque tinha que passar. Imagina um vestido pesado, cheio de babados, de renda, de anáguas todo amassado. Vesti e vi que não dava para usar sem passar. E aí, voltei com ele para a sacola. Sem chance de eu ficar 1 hora passando aquilo. Pus só um xale e uma flor e fui pra festa.
Uma coisa interessante é que, no fim de semana em que a feira acaba já não há mais sevillanos, mas pessoas de fora, turistas e gente de cidades próximas. Alguns me disseram que os sevillanos vão embora porque já estão cansados da Feira. Não sei. Acho que aqui as pessoas são muito elitistas, para mim vão embora para não se misturar com quem não é da cidade e não se veste tão bem para a festa. Realmente no domingo vi menos pessoas vestidas com trajes de ciganas e muito mais turistas. Ah, na semana da Feira não tem aula nas escolas, tudo funciona só mais ou menos até umas 2 da tarde e depois todos vão para a festa. É um feriadão de uma semana.
Outra coisa que me encantou: os passeios de cavalos. A Feira reúne mais de um milhão de pessoas. Tem ônibus para chegar lá, metrô e o transito da cidade muda para a festa. Eu tentei ir de metrô um dia e voltei para casa. Impossível. Não tinha como entrar. De carro também não se chega porque o trânsito de carros é impedido e não há estacionamento. Mas o chique mesmo é ir de carruagem. O dia inteiro passa carruagem aberta e fechada pela cidade levando gente. Algumas são alugadas. Me disseram que custam entre 80 a 200 euros a hora. Mas as mais chiques são de pessoas. São lindas. Os cocheiros vão sempre de chapéu e luva. Com uma roupa chiquérrima. Os cavalos são lindíssimos. Na Feira tem até engarrafamento de tanta carruagem e cavalo. As ruas são de mão única e mesmo assim dá uma confusão danada. Também tem os cavaleiros e amazonas. É muito comum que as mulheres vistam uma saia justa e se sentem de lado nos cavalos. Ou vão com roupa de cigana de lado também. É como uma viagem no tempo. De novo é comum ver mães e filhas com a mesma roupa de cigana e os meninos com uma roupinha de toureiro (são poucos os que vestem assim) e a roupinha é bem simples. Sem os bordados dos toureiros. Também vejo meninos vestindo calças curtas. Vou mandar as fotos para vcs verem.
Para terminar: a música principal da festa são as sevillanas e se baila todo o tempo. Também se ouve rumba, flamenco, mas o tradicional são as sevillanas. E todo mundo dança. A maioria sabe, mas que não sabe muito bem (como eu) também se atreve. É uma dança com passos marcados, não pode ir lá e fazer qualquer coisa. Tem ordem e sequência. Cada música tem  quatro tempos e cada um tem seus passos específicos. Fiquei muito feliz de dançar sevillanas, embora ainda não consegui decorar todos os passos. Foi como um alemão dançando samba. Mas foi bem legal.
Para as crianças, adolescentes e jovens como eu tem a Rua do Inferno que é um parque imenso com muitos brinquedos, lotados, com muita música e gritaria. Fui na montanha russa e num brinquedo chamado canguru (para nunca mais na vida – para eu ver que já passei muito da idade destas coisas...) e ainda tem um circo e aqueles brinquedos de tiro ao alvo, bingos, sorteios, etc, etc.
A feira terminou com muitos fogos de artifício à meia-noite de domingo.
Segundo me informaram, a Semana Santa e Feria de Abril são as principais festas de Sevilha. De tal forma que eu já tô com vontade de ir embora. Que eu vou fazer nesta cidade sem festa gente? Vou ter que inventar umas coisas interessantes e talvez eu vá ter até que estudar para este pós-doutorado (o que muito me assusta!!!) Brincadeira. Morram de inveja. Estou indo para Berlim, Bonn, Amsterdã, Bruxelas e Paris. De modos que eu vou ter muita coisa para contar. Especialmente de como vou me virar sozinha sem falar uma palavra de alemão, holandês, flamengo ou francês... E com um inglês do tipo “The book is on the table”. Bem, “C’est la vie...”. Uma coisa eu descobri na montanha russa. Uma vez que a partida foi dada, não tem mais como pular fora. Tem que esperar até o final. Então vamos... Boa viagem para todos nós.
Abraços a todas,

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