Minha primeira aula em Sevilha
foi uma tragédia grega. Aliás, para quem fala grego, nada mal, né? Estava super
ansiosa, cheguei cedo e encontrei uma aluna que faria aula. É uma marroquina
que mora na Espanha e estuda árabe. A supervisora chegou, apresentou os outros
alunos e foi muito simpática, como sempre. No início da aula, houve uma
discussão sobre que língua seria a aula. Eram 3 espanhóis, a marroquina que
falei, eu e 5 palestinos. Concluiu-se que seria melhor em inglês. Que ótimo!!! Meu inglês é tão ruim quanto meu
espanhol. Vamos lá. Para começar, a professora pediu que respondêssemos a um
questionário. Primeira questão: marcar, em um mapa mundi, onde ficam Israel e
Palestina. (Que beleza!) Segunda: selecionar, em uma lista de armas, quais eram
as utilizadas por cada um dos países. (Aí resolveram me ajudar explicando cada
uma das armas que eu não conhecia. F-16, por exemplo, que eu achava que era uma
metralhadora, é um avião. Isso me ajudou demais!!). Próxima: marcar quantos
israelenses e palestinos civis haviam sido mortos nos conflitos desde o ano 2000. Eu preciso dizer que errei todas
as questões? Aí começou a aula e a discussão e partiu das posições de cada país
em relação a Israel e Palestina. Aí eu comecei a passar mal. Achei que a paella
que tinha comido não tinha caído bem... Mas eu sabia que o motivo era outro. Qual
a posição do Brasil nesta história? Obvio que eu não tenho a menor ideia e que
eu sabia que isso ia vir a tona. Por fim, acho que eu fiquei invisível e nem
sei o que falaram do Brasil. Eu só torcia para a aula acabar logo, mas acabou 1
hora depois do previsto e eu já não aguentava mais. A professora foi uma gracinha. Disse que eu
falo espanhol bem (o que mostra o quanto ela é gentil). Falou de um monte de
trabalhos que podemos fazer juntas (ai que preguiça...) e marcou um encontro
para sexta-feira. Amanhã vou a Córdoba com uma aluna dela e os Palestinos.
Certamente será mais uma oportunidade de aprender inglês. Agora estou um meu
espaço de trabalho que se chama Las Caracolas. É uma sala onde ficam os alunos
da pós-graduação. Até que é legalzinho. Hoje termina meu período no Hostal e eu
me dei conta de que andei o dia todo pela cidade olhando os prédios, tirando
foto e não fiz nada de útil, especialmente procurar lugar para morar. Vou ver
isso agora. No Hostal que eu estou, tem
uns brasileiros alunos da UFOP que estão me ajudando. Já compraram celular aqui
e me dão várias dicas. Tem um tour pela noite que são 3 pubs e uma boate. Eles me chamaram. Aí eu
quis saber que horas o tour termina. Eles me disseram que, no dia que foram,
voltaram antes pq não conseguiram ir até o final. Gente, se os meninos de 20
anos, estudantes de Ouro Preto não foram até o final do tour, foi o suficiente
para eu saber que eu não daria conta nem do início. Eles ainda me adicionaram
numa comunidade do facebook para Festas em Sevilha. Acho que não vou usar
muito, mas deixa lá... Nunca se sabe. Rsrsrs
Cenas dos novos capítulos...
Arrumei um apartamento super
legal. É grande, novo, bem arrumado e moro com 2 espanholas e 1 italiano. Está
sendo bem interessante esta experiência.
Fui a Córdoba com uma colega da
Psicologia e os 5 palestinos. Córdoba é muito interessante. Uma parte da cidade
fica dentro de um muro enorme, como nas cidades da Idade Média. É
impressionante. Também vi um pequeno castelo no alto de uma montanha como
aqueles de filme, sabe? Eu não fotografei porque achei que ia sair o reflexo do
vidro do trem... Mas vou voltar a Córdoba e fotografo. Tem umas torres que eu
só via em filmes... Ah, e lá tem também algumas ruínas do Império Romano.
Estavam cercadas. Mesmo assim fotografei. Uma das coisas que mais me chama a
atenção é o cuidado com tudo. Eu fico fotografando o piso das ruas, porque eles
são todos muito bem trabalhados. As milhares de pedras colocadas formando
desenhos... E os monumentos são tão grandiosos que nem tem como fotografar
tudo. Córdoba foi a última cidade em que os muçulmanos resistiram. Tem uma
mesquita imensa que, como tudo, foi depois transformada em uma Igreja Católica.
Aliás, é impossível passar por aqui sem se questionar sobre as atrocidades
feitas em nome de Deus. O trabalho dos árabes e as contribuições deixadas por
eles aqui no sul da Espanha são enormes. Por que tanta intolerância? Tem um
museu da Inquisição em Córdoba que eu ainda quero ir. Ontem não deu tempo. Acho
que no Brasil não temos muita noção do que é a intolerância religiosa. Nem sei
se a palavra “religiosa” cabe neste caso. Aprendi que a origem etimológica do
termo está em ligar, ou seja, aquilo que nos liga. Então intolerância não tem
nada a ver com religião, eu acho.
Vou ver a possibilidade de ir a
Londres estudar inglês. Não tinha pensando nisso antes, e vai depender das
minhas condições financeiras.
Vou tentar incluir um vídeo dos
palestinos dançando nas ruas de Córdoba e algumas fotos.
Beijos.
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