segunda-feira, 21 de maio de 2012

País Vasco


Hoje estou no País Vasco ou Euskadia. Numa pequena cidade chamada Beasain num chalezinho delicioso com minha orientadora e os donos da casa (um casal muito simpático – Carmem e Damian). O País Vasco é a região mais rica da Espanha, junto com a Catalunha.  Aqui se fala castelhano e euskera. Os livros das escolas daqui estão em euskera e as placas têm as duas línguas.  No entanto, acho que se fala bem mais castelhano. Dizem que nas cidades bem pequenas se fala muito euskera, mas eu acho que estou numa cidade pequena e todas as pessoas que vi (alunos na escola, no trem, nas ruas) falavam castelhano. Dizem que euskera é uma língua dificílima – dificilmente aprendida por um adulto e que não se sabe muito bem de onde surgiu, já que ela parece muito original e diferenciada de outras línguas.  Parece que o conhecimento da língua é fundamental para se conseguir emprego por aqui e um professor me disse que tem muitas conjugações verbais complicadas e que não se usa nunca, mas que os alunos precisam apender. Acho que colocar o euskera nas escolas é fundamental para que a língua não morra.
Achei aqui tudo muito parecido com a Alemanha (com meu vasto conhecimento da Alemanha, como se sabe...) mas não concordaram comigo. Um morador me disse que eles querem a separação deste estado que até se chama país porque acham que sustentam o restante do país que é mais pobre. No entanto, o que reconhecem como País Vasco é um diferente do que é hoje, tem uma parte da França também. Há bandeiras em algumas casas com o mapa do que seria o País Vasco (me parecem separatistas, mas não sei se a ideia é essa). Tem muitas bandeiras de futebol também. O ETA, sigla para Euskadi Ta Askatasuna que significa Pátria Basca e Liberdade, era um grupo separatista que, segundo a Wikipédia deixou de existir em outubro de 2011.  
Ontem fui a San Sebastian ou Donostia e conheci uma brasileira (Karina) casada com um espanhol (John). Eles moram em Logroña, na Rioja, uma região produtora de vinho e os dois não bebem nada com álcool (Isso existe, sabiam?). Ah, descobri que aquelas cidras que a gente compra aí que são bebidas feitas de frutas são típicas daqui. Fazem muito, especialmente de maçã.
 San Sebastian é uma cidade de praia boa para surfistas e muito procurada por turistas no verão. É cidade-irmã do Rio de Janeiro, tem uma baía (chamada da concha), um Cristo no alto de uma montanha (que é diferente do Rio) e até o nome é do padroeiro do RJ. No dia de São Sebastião, há uma festa chamada tamborada que é todo mundo vai para praça da cidade – um lugar onde antes havia touradas (os apartamentos são numerados porque eram pontos para ver as touradas que agora não existem mais) e toca tambor o dia inteiro, se entendi bem... (Deve ser um dia infernal, fala sério...) Comi uns pintxos que são o mesmo que as tapas de Sevilha. Mas são mais caprichados. São pequenos sanduíches de pão de sal que ficam em cima do balcão dos bares (um pouco anti-higiênico), mas são bonitos e gostosos. A cidade está muito perto da França, em 10 minutos de trem ou carro se chega à França. A cidade já foi invadida pelos franceses (não consegui saber quando) que a queimaram e reconstruíram. Segundo o John, muitos prédios do centro da cidade se parecem com Paris. Em San Sebastian acontece um importante Festival Internacional de Cinema que acontece em setembro. Tem um hotel chiquérrimo também chamado Maria Cristina, onde ficam os famosos e até um tapete vermelho até o local do evento que era um teatro ao lado do hotel e agora está num prédio mais moderno.
A cidade era cercada por muralhas e algumas ainda existem. Não entendi muito bem, mas tem umas que subterrâneas tb. O prédio da Prefeitura é muito bonito. Lá estava acontecendo uma festa de um casamento chique e havia algumas pessoas que iam apresentar uma dança típica na entrada dos noivos. Mas eles demoraram muito e fomos embora. Eu fiquei um pouco sentida, não por ter perdido a dança, mas por ter chegado tarde. Era justamente o noivo que eu procurava. Não o vi, mas apaixonei por ele só de ver o presente que havia dado à noiva, embrulhado em papel filme. Faço questão de mandar a foto para vocês...
Estive em Bilbao, mas não vi o Museu Guggenheim. Uma pena. Mas algumas pessoas daqui não gostam do museu porque dizem que ele consumiu todo o dinheiro da cultura e que estão pagando por ele até hoje.
Uma das coisas que me chamam a atenção aqui na Espanha é o pequeno número de postos de trabalho. Quase tudo se compra por internet ou em máquinas (passagens de trem, sanduíches, café, etc). Fui à cantina de uma escola comer alguma coisa e só havia máquinas com suco, chocolates e sanduíche. Não havia um só atendente. Nas lojas tb o atendimento é ruim porque em geral tem pouca gente trabalhando. Vi até uma barraca de venda de leite na praça que achei super interessante. Vc compra a garrafa (de plástico ou vidro), paga por ela e depois pelo tanto de leite que vai por na garrafa. Tudo sem nenhum atendente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário