Hoje estou no País Vasco ou
Euskadia. Numa pequena cidade chamada Beasain num chalezinho delicioso com
minha orientadora e os donos da casa (um casal muito simpático – Carmem e
Damian). O País Vasco é a região mais rica da Espanha, junto com a
Catalunha. Aqui se fala castelhano e
euskera. Os livros das escolas daqui estão em euskera e as placas têm as duas
línguas. No entanto, acho que se fala
bem mais castelhano. Dizem que nas cidades bem pequenas se fala muito euskera,
mas eu acho que estou numa cidade pequena e todas as pessoas que vi (alunos na
escola, no trem, nas ruas) falavam castelhano. Dizem que euskera é uma língua
dificílima – dificilmente aprendida por um adulto e que não se sabe muito bem
de onde surgiu, já que ela parece muito original e diferenciada de outras
línguas. Parece que o conhecimento da
língua é fundamental para se conseguir emprego por aqui e um professor me disse
que tem muitas conjugações verbais complicadas e que não se usa nunca, mas que
os alunos precisam apender. Acho que colocar o euskera nas escolas é
fundamental para que a língua não morra.
Achei aqui tudo muito parecido
com a Alemanha (com meu vasto conhecimento da Alemanha, como se sabe...) mas
não concordaram comigo. Um morador me disse que eles querem a separação deste
estado que até se chama país porque acham que sustentam o restante do país que
é mais pobre. No entanto, o que reconhecem como País Vasco é um diferente do
que é hoje, tem uma parte da França também. Há bandeiras em algumas casas com o
mapa
do que seria o País Vasco (me parecem separatistas, mas não sei se a ideia é
essa). Tem muitas bandeiras de futebol também. O ETA, sigla para Euskadi Ta
Askatasuna que significa Pátria Basca e Liberdade, era um grupo
separatista que, segundo a Wikipédia deixou de existir em
outubro de 2011.
Ontem fui a San Sebastian ou
Donostia e conheci uma brasileira (Karina) casada com um espanhol (John). Eles moram em
Logroña, na Rioja, uma região produtora de vinho e os dois não bebem nada com
álcool (Isso existe, sabiam?). Ah, descobri que aquelas cidras que a gente
compra aí que são bebidas feitas de frutas são típicas daqui. Fazem muito,
especialmente de maçã.
San Sebastian é uma cidade de praia boa para
surfistas e muito procurada por turistas no verão. É cidade-irmã do Rio de
Janeiro, tem uma baía (chamada da concha), um Cristo no alto de uma montanha
(que é diferente do Rio) e até o nome é do padroeiro do RJ. No dia de São
Sebastião, há uma festa chamada tamborada que é todo mundo vai para praça da
cidade – um lugar onde antes havia touradas (os apartamentos são numerados
porque eram pontos para ver as touradas que agora não existem mais) e toca
tambor o dia inteiro, se entendi bem... (Deve ser um dia infernal, fala
sério...) Comi uns pintxos que são o mesmo que as tapas de Sevilha. Mas são
mais caprichados. São pequenos sanduíches de pão de sal que ficam em cima do
balcão dos bares (um pouco anti-higiênico), mas são bonitos e gostosos. A
cidade está muito perto da França, em 10 minutos de trem ou carro se chega à
França. A cidade já foi invadida pelos franceses (não consegui saber quando)
que a queimaram e reconstruíram. Segundo o John, muitos prédios do centro da
cidade se parecem com Paris. Em San Sebastian acontece um importante Festival
Internacional de Cinema que acontece em setembro. Tem um hotel chiquérrimo
também chamado Maria Cristina, onde ficam os famosos e até um tapete vermelho
até o local do evento que era um teatro ao lado do hotel e agora está num prédio
mais moderno.
A cidade era cercada por muralhas
e algumas ainda existem. Não entendi muito bem, mas tem umas que subterrâneas
tb. O prédio da Prefeitura é muito bonito. Lá estava acontecendo uma festa de
um casamento chique e havia algumas pessoas que iam apresentar uma dança típica
na entrada dos noivos. Mas eles demoraram muito e fomos embora. Eu fiquei um
pouco sentida, não por ter perdido a dança, mas por ter chegado tarde. Era
justamente o noivo que eu procurava. Não o vi, mas apaixonei por ele só de ver
o presente que havia dado à noiva, embrulhado em papel filme. Faço questão de
mandar a foto para vocês...
Estive em Bilbao, mas não vi o Museu
Guggenheim. Uma pena. Mas algumas pessoas daqui não gostam do museu porque
dizem que ele consumiu todo o dinheiro da cultura e que estão pagando por ele
até hoje.
Uma das
coisas que me chamam a atenção aqui na Espanha é o pequeno número de postos de
trabalho. Quase tudo se compra por internet ou em máquinas (passagens de trem,
sanduíches, café, etc). Fui à cantina de uma escola comer alguma coisa e só
havia máquinas com suco, chocolates e sanduíche. Não havia um só atendente. Nas
lojas tb o atendimento é ruim porque em geral tem pouca gente trabalhando. Vi
até uma barraca de venda de leite na praça que achei super interessante. Vc
compra a garrafa (de plástico ou vidro), paga por ela e depois pelo tanto de
leite que vai por na garrafa. Tudo sem nenhum atendente.
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