segunda-feira, 21 de maio de 2012

Quase em casa


Olá,

Cá estou eu de novo para contar da viagem a Lisboa em que participei de um pequeno congresso. A viagem já começou emocionante. Imagina que eu comprei a passagem por e-mail e imprimi algo que eu achei que era o bilhete (mas não era) e não fiz o check-in pela internet. Minha ideia era chegar mais cedo e fazer o check-in no aeroporto. Eu sabia que ia de Sevilha a Lisboa, ia esperar muito tempo e depois pegar um voo par Lisboa. Quando eu cheguei ao aeroporto de Sevilha, descubro que minha passagem era de trem. Nem havia avião no horário marcado. Peguei um táxi e o moço tentava dirigir e me ajudar com o papel que eu tinha, mas nem ele nem eu conseguíamos ter certeza que era para ir de trem. Era tudo confuso, falava em vôo, companhia aérea, mas a saída era na estação de trem. Eu liguei para um número que estava no papel, mas ninguém atendia.
Chegando à estação de trem, eu não consegui imprimir o bilhete de trem porque faltava um número que devia estar no meio e-mail. Só que lá não tinha nem lan-house, nem internet sem fio e vários atendentes disseram que não podiam me ajudar. Aí uma atendente resolveu me ajudar. Me deixou usar o computador e meu e-mail não abria. Leu o papel e também não conseguia entender se era trem ou avião. Aí mudamos de computador, o e-mail abriu e nem eu nem ela não entendíamos porque o que tinha no papel era o que estava no meu e-mail e não tinha os dados que eu precisava. Consegui outro número e liguei para a e-dreams (a companhia que me vendou a passagem). Depois de passar por uns 4 funcionários e ouvir uns 20 minutos de música clássica (que, como vocês sabem, deixam a gente super relaxada num momento como esse), um brasileiro me atendeu e me deu uma “grande ajuda”. Disse que a empresa dele só vendia a passagem e não podia fazer mais nada. Eu tinha que procurar a companhia aérea e falar com eles. E que, se eu perdesse a passagem, o problema era meu e eu não teria o dinheiro de volta porque eu não conseguia (aliás nem eu nem ninguém) entender o que estava no e-mail que me mandaram. Obvio que ainda gastei alguns créditos do celular soltando os cachorros nesse infeliz. Mas ele me deu uma luz. Entrei no site da companhia aérea e lá tinha o check-in para trens. Beleza. O bilhete surgiu do nada. Só que faltavam 2 minutos para o trem sair – e o trem fecha as portas exatamente 2 minutos antes da saída e eles são muito pontuais. Me disseram que se o trem atrasa, você pode pedir seu dinheiro de volta (mas eu não sei se isso é verdade). A atendente imprimiu o bilhete, ligou para o trem pediu para esperar. Desceu correndo como louca comigo, foi abrindo todas as portas, ainda tive que passar minhas coisas naquela esteira de raio-x, o trem abriu a porta, eu entrei e sentei na primeira poltrona (não era meu vagão, nem minha poltrona... era um vagão cheio de velhinhos passeando numa excursão que foram muito gentis comigo porque viram  eu estava destruída). Só levantei da poltrona em Madri.... Ufa. Em Lisboa comprei um presentinho para a menina da estação de trem. Só sabia que ela tinha o cabelo loiro e cacheado e deixei para ela quando eu voltei de Portugal. A passagem que tinha comprado tinha sido caríssima e ela me salvou a viagem.
Daí até Lisboa tudo ocorreu com normalidade como é o esperado. Gente, como é bom estar num lugar em que falam a nossa língua. No primeiro dia eu achei que eles não falavam bem português, mas uma mistura de português com alemão ou algo assim. Teve um velhinho que falou no Congresso e eu entendi umas 2 ou 3 palavras... Também me falaram para pegar o autocarro (que é ônibus) ou o comboio (que é trem) numa estação que eu entendi e anotei como Cashedré... Era o que todo mundo dizia. Só que este nome não havia no mapa. Até rasguei o mapa de tanto procurar. Depois de muito investigar, descobri que a estação chama-se Cais do Sodré... Mas no segundo dia, já me sentia em casa. Encontrava muitos brasileiros por todos os lados e ouvia muita música brasileira. Até demais, pra dizer a verdade... Resolvi ficar num Hostel no Bairro Alto e li uma crítica dizendo que lá era muito barulhento. Mas, como em geral, eu tenho sono pesadíssimo, não me importei. Pois bem, mas a crítica era muito real. Tinha um bar ao lado com música ao vivo cantada por um brasileiro que eu curti bastante até mais ou menos 1 hora da manhã. A partir daí, queria dormir mas a lei do silêncio é completamente desconhecida por aquelas bandas. De manhã, era acordada pelos lixeiros e pelos bombeiros (que lavam as ruas de manhã) porque estavam muito sujas, com copos, garrafas, parecia que tinha passado o carnaval da Bahia por ali.
Eu achei a cidade um pouco suja, com muitas pichações, com aqueles prédios maravilhosos caindo aos pedaços. A cidade me lembrou um pouco Salvador, São Luís e Rio de Janeiro. Além disso, o fato das pessoas colocarem as roupas para secar nas sacadas enfeia muito a cidade. Tirei a foto de uma grande calcinha dependurada na sacada para mandar para vocês. Nem acreditei quando vi aquilo. 
Mas as pessoas são legais. Conheci uma mulher muito simpática (Antônia) no congresso que me levou para passear (para comer Pastel de Belém naquela pastelaria famosa), para ir ao ponto mais ocidental da Europa, para ir a um Cassino e me levou para jantar na sua casa e ainda fez dois tipos de bacalhau, um com nata (que eu acho que é creme de leite) e outro com broa (esse eu tava bem curiosa, mas é uma espécie de uma farinha de milho, não sei bem o que é, mas não era a broa que eu imaginava) e todos estavam uma delícia e a família dela foi super agradável.
Minha amiga Angela disse que era para eu ir a Sintra e lá fui eu, ainda com recomendação de comer uns travesseiros na Periquita (uma loja de lá). Muito bons. Recomendo também. Até então, eu estava um pouco desencantada com os castelos que tinha visitado. Eu queria muito conhecer os castelos, mas eles passavam longe do que eu imaginava. Em geral, eram grandes fortificações, em grandes montanhas, sempre construídos para grandes batalhas. Todo o tempo eu lia das estratégias militares utilizadas. Num deles tinha até uma réplica de uma catapulta (vou ver se mando a foto). Em uma torre, me disseram que jogavam óleo fervendo nos inimigos. Credo!!! Nem posso imaginar uma coisa dessas. Esses não eram os castelos que eu estava imaginando. Eu queria saber daqueles das princesas que ficam aguardando a chegada do príncipe encantado... Mas estes eu não encontrava. O Real Alcazar aqui de Sevilha é lindo demais, mas nem tem móveis. Não consegui entender onde as pessoas dormiam, comiam, como viviam. Mas em Sintra tem um castelo de princesa de verdade. Era uma das casas do rei de Portugal. Lindo, maravilhoso. Com os móveis, a decoração, os objetos de uso pessoal, as louças, tudo maravilhoso. Até ponte levadiça tem o castelo. Tudo bem que deve ter sido construído com as riquezas extraídas do Brasil, mas que a família real tinha bom gosto, isto tinha. E fez bom uso do dinheiro em causa própria. Até que a festa acabou e Portugal se tornou república (embora alguns políticos ainda tentem viver como reis). Amei. Angela, obrigada pela dica.
Bem, vou por umas fotos de Portugal para vocês visualizarem um pouco de tudo isso. A catapulta é de Tarifa, na Espanha, ok?

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