Olá,
Cá estou eu de novo para contar
da viagem a Lisboa em que participei de um pequeno congresso. A viagem já
começou emocionante. Imagina que eu comprei a passagem por e-mail e imprimi
algo que eu achei que era o bilhete (mas não era) e não fiz o check-in pela
internet. Minha ideia era chegar mais cedo e fazer o check-in no aeroporto. Eu
sabia que ia de Sevilha a Lisboa, ia esperar muito tempo e depois pegar um voo
par Lisboa. Quando eu cheguei ao aeroporto de Sevilha, descubro que minha
passagem era de trem. Nem havia avião no horário marcado. Peguei um táxi e o
moço tentava dirigir e me ajudar com o papel que eu tinha, mas nem ele nem eu
conseguíamos ter certeza que era para ir de trem. Era tudo confuso, falava em
vôo, companhia aérea, mas a saída era na estação de trem. Eu liguei para um
número que estava no papel, mas ninguém atendia.
Chegando à estação de trem, eu
não consegui imprimir o bilhete de trem porque faltava um número que devia
estar no meio e-mail. Só que lá não tinha nem lan-house, nem internet sem fio e
vários atendentes disseram que não podiam me ajudar. Aí uma atendente resolveu
me ajudar. Me deixou usar o computador e meu e-mail não abria. Leu o papel e
também não conseguia entender se era trem ou avião. Aí mudamos de computador, o
e-mail abriu e nem eu nem ela não entendíamos porque o que tinha no papel era o
que estava no meu e-mail e não tinha os dados que eu precisava. Consegui outro
número e liguei para a e-dreams (a companhia que me vendou a passagem). Depois
de passar por uns 4 funcionários e ouvir uns 20 minutos de música clássica
(que, como vocês sabem, deixam a gente super relaxada num momento como esse),
um brasileiro me atendeu e me deu uma “grande ajuda”. Disse que a empresa dele
só vendia a passagem e não podia fazer mais nada. Eu tinha que procurar a
companhia aérea e falar com eles. E que, se eu perdesse a passagem, o problema
era meu e eu não teria o dinheiro de volta porque eu não conseguia (aliás nem
eu nem ninguém) entender o que estava no e-mail que me mandaram. Obvio que
ainda gastei alguns créditos do celular soltando os cachorros nesse infeliz.
Mas ele me deu uma luz. Entrei no site da companhia aérea e lá tinha o check-in
para trens. Beleza. O bilhete surgiu do nada. Só que faltavam 2 minutos para o
trem sair – e o trem fecha as portas exatamente 2 minutos antes da saída e eles
são muito pontuais. Me disseram que se o trem atrasa, você pode pedir seu
dinheiro de volta (mas eu não sei se isso é verdade). A atendente imprimiu o
bilhete, ligou para o trem pediu para esperar. Desceu correndo como louca
comigo, foi abrindo todas as portas, ainda tive que passar minhas coisas
naquela esteira de raio-x, o trem abriu a porta, eu entrei e sentei na primeira
poltrona (não era meu vagão, nem minha poltrona... era um vagão cheio de
velhinhos passeando numa excursão que foram muito gentis comigo porque
viram eu estava destruída). Só levantei
da poltrona em Madri.... Ufa. Em Lisboa comprei um presentinho para a menina da
estação de trem. Só sabia que ela tinha o cabelo loiro e cacheado e deixei para
ela quando eu voltei de Portugal. A passagem que tinha comprado tinha sido caríssima
e ela me salvou a viagem.
Daí até Lisboa tudo ocorreu com
normalidade como é o esperado. Gente, como é bom estar num lugar em que falam a
nossa língua. No primeiro dia eu achei que eles não falavam bem português, mas
uma mistura de português com alemão ou algo assim. Teve um velhinho que falou
no Congresso e eu entendi umas 2 ou 3 palavras... Também me falaram para pegar
o autocarro (que é ônibus) ou o comboio (que é trem) numa estação que eu
entendi e anotei como Cashedré... Era o que todo mundo dizia. Só que este nome
não havia no mapa. Até rasguei o mapa de tanto procurar. Depois de muito
investigar, descobri que a estação chama-se Cais do Sodré... Mas no segundo
dia, já me sentia em casa. Encontrava muitos brasileiros por todos os lados e
ouvia muita música brasileira. Até demais, pra dizer a verdade... Resolvi ficar
num Hostel no Bairro Alto e li uma crítica dizendo que lá era muito barulhento.
Mas, como em geral, eu tenho sono pesadíssimo, não me importei. Pois bem, mas a
crítica era muito real. Tinha um bar ao lado com música ao vivo cantada por um
brasileiro que eu curti bastante até mais ou menos 1 hora da manhã. A partir
daí, queria dormir mas a lei do silêncio é completamente desconhecida por
aquelas bandas. De manhã, era acordada pelos lixeiros e pelos bombeiros (que
lavam as ruas de manhã) porque estavam muito sujas, com copos, garrafas,
parecia que tinha passado o carnaval da Bahia por ali.
Eu achei a cidade um pouco suja,
com muitas pichações, com aqueles prédios maravilhosos caindo aos pedaços. A
cidade me lembrou um pouco Salvador, São Luís e Rio de Janeiro. Além disso, o
fato das pessoas colocarem as roupas para secar nas sacadas enfeia muito a
cidade. Tirei a foto de uma grande calcinha dependurada na sacada para mandar
para vocês. Nem acreditei quando vi aquilo.
Mas as pessoas são legais. Conheci
uma mulher muito simpática (Antônia) no congresso que me levou para passear (para comer Pastel de Belém
naquela pastelaria famosa), para ir ao ponto mais ocidental da Europa, para ir
a um Cassino e me levou para jantar na sua casa e ainda fez dois tipos de
bacalhau, um com nata (que eu acho que é creme de leite) e outro com broa (esse
eu tava bem curiosa, mas é uma espécie de uma farinha de milho, não sei bem o
que é, mas não era a broa que eu imaginava) e todos estavam uma delícia e a
família dela foi super agradável.
Minha amiga Angela disse que era
para eu ir a Sintra e lá fui eu, ainda com recomendação de comer uns travesseiros
na Periquita (uma loja de lá). Muito bons. Recomendo também. Até então, eu
estava um pouco desencantada com os castelos que tinha visitado. Eu queria
muito conhecer os castelos, mas eles passavam longe do que eu imaginava. Em
geral, eram grandes fortificações, em grandes montanhas, sempre construídos
para grandes batalhas. Todo o tempo eu lia das estratégias militares
utilizadas. Num deles tinha até uma réplica de uma catapulta (vou ver se mando
a foto). Em uma torre, me disseram que jogavam óleo fervendo nos inimigos.
Credo!!! Nem posso imaginar uma coisa dessas. Esses não eram os castelos que eu
estava imaginando. Eu queria saber daqueles das princesas que ficam aguardando
a chegada do príncipe encantado... Mas estes eu não encontrava. O Real Alcazar
aqui de Sevilha é lindo demais, mas nem tem móveis. Não consegui entender onde
as pessoas dormiam, comiam, como viviam. Mas em Sintra tem um castelo de
princesa de verdade. Era uma das casas do rei de Portugal. Lindo, maravilhoso.
Com os móveis, a decoração, os objetos de uso pessoal, as louças, tudo
maravilhoso. Até ponte levadiça tem o castelo. Tudo bem que deve ter sido
construído com as riquezas extraídas do Brasil, mas que a família real tinha
bom gosto, isto tinha. E fez bom uso do dinheiro em causa própria. Até que a
festa acabou e Portugal se tornou república (embora alguns políticos ainda
tentem viver como reis). Amei. Angela, obrigada pela dica.
Bem, vou por umas fotos de
Portugal para vocês visualizarem um pouco de tudo isso. A catapulta é de Tarifa,
na Espanha, ok?
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